Descripción:
No século XX, vimos emergir na UNESCO a expressão “educação ao longo da vida” como um paradigma educacional a ser alcançado. Suas filiações históricas remontam à década de 1960, quando se anunciaram as perigosas potencialidades da crise mundial da educação. Na década seguinte, essa crise apareceu sob a forma de ameaça de desequilíbrio do corpo social. Dissemina-se, nas próximas décadas, o ideário de um novo projeto de educação para o século XXI como antídoto para os “perigos” do desemprego e rupturas sociais. Evoca-se uma educação ao longo da vida capaz de promover o respeito às necessidades e diferenças individuais, de responder à democratização da educação e se constituir como chave de acesso ao século XXI. Tal perspectiva educacional se coaduna com o projeto histórico disseminado pela UNESCO, cujo alicerce tem sido a construção de um sujeito pacífico e tolerante, consoante à política contemporânea de segurança mundial para o sistema capitalista. Analisa-se, no presente trabalho, que tal paradigma educacional apoia-se numa concepção de tempo e história que eterniza o presente, cuja conjuntura histórica é descrita como inexorável, dominada pela globalização, pela dependência e subordinação dos conhecimentos às novas economias do conhecimento.